segunda-feira, 25 de maio de 2009

Crónicas de um coxo diferente - II

O dia 23 de Maio de 2009 tinha tudo para ser um dia perfeito...tudo tirando o facto de que quando é bom nunca é pra mim.

Mas antes do dia 23 de Maio, há sempre um dia 22 de Maio...e entre o 22 e o 23, toda a gente sabe que, inevitavelmente, há uma noite de 22 pra 23. Até aqui nada de novo...e a noite começou com um jantar de despedida de um ilustre Estudantino que se preparava para ir pra Angola engordar a conta bancária durante uns meses valentes. Não digo que tenha saído de lá alcoolizado mas...eu quando conduzo não bebo, pra não entornar. Ora parte do grupo ía a uma festa numa daquelas discotecas com guest list e coiso e tal, mas eu, um pobre rapaz do campo, e humilde apreciador do ambiente bairrista(e de imperial a 80 cêntimos em vez de 5€), optei por ir à festa do festival da tuna feminina do ISEL, nas novas instalações do Real República de Coimbra no Bairro Alto, na companhia do meu padrinho* há muito desparecido. Ora sendo o moço de Vila Viçosa e conhecendo eu Lisboa como conheço o Porto(que nunca lá pus os cotos) fomos deixar o carro a três dias pra trás do sol posto, do bairro. Para não variar foi certinho que me esqueci de onde é que deixei o carro...
Lá chegámos às novas instalações do Real República de Coimbra, bebemos uns canecos, trauteamos umas modas e eis que chegou a hora de voltar a casa. Mas para voltar a casa há que encontrar o carro, o que se torna uma missão bem mais simples de executar se for debaixo de chuva...já referi que quando é bom nunca é pra mim? Enfim, achei o carro, montei-me nele, e fui à minha vida...até me tava a correr bem a noite quando tive a sensação que passei por um flash, daqueles que costumam custar dinheiro...ai, quando é mau...olha é pra mim...

E pronto chegamos à manhã de 23 de Maio. Acordar as 10h da madrugada, pra ir à benção das pastas da fã nº1, depois de comer o almoço que os paisinhos vão pagar. "Ah, andas a papar almoços à pala e ainda te queixas" - Antes da tempestade vem sempre a bonança, e depois da tempestade...é que é o elas. Mas vá, almocinho e tal, benção na basílica da estrela. Ora a dita leva aí umas 500 pessoas, como tuga que é tuga gosta é de festa, os finalistas devem ter levado aí umas 1000 pessoas só de família. Conclusão, 2h de pé numa buraco mais apertado do que aquele por onde eu nasci. E é este o momento...quero desde já fazer aqui um apelo a vocês fiéis leitores, que se eu algum dia me passar por esta marmita abençoada, a triste ideia de arranjar fitas e ir a uma benção, por favor afinfai-me com uma picareta entre os mirantes, seguido de dois pares de chapadas nas trombas, daquelas que aleijam. Se me quiser autopraxar, não preciso da benção de ninguém.

E por falar em praxar, chegamos ao final da tarde de 23 de Maio, e ao jantar de aniversário do meu melhor amigo. Ora, até aqui tudo bem, não fosse o pessoal lembrar-se de o embubadar com penaltys que era obrigado a beber por duas razões:

1. Por tudo
2. Por nada

Ora amigo que é amigo quando se vê embriagado o que é que faz? Exactamente, faz com que o amigo se embriague mais que ele, e pronto os inergúmenos que estavam lá a jantar acharam piada à coisa e aqui o menino desde imperiais a jarros de tinto, de bota-a-baixo, foi obrigado a virar, que nem um camelo em dia de ramadão. Conclusão, lá fomos os dois cambaleando abraçados até ao ISEL... Ora até aqui também nada havia de estranho, não fosse o facto de termos um festival de tunas femininas para abrir, e uma bandeira com a qual era suposto fazermos cenas fixes, sem que ela tocasse no solo. Digo-vos meus amigos, que tal tarefa já não é fácil quando conseguimos manter o corpo perpendicular ao solo sem grande esforço, imaginem então fazê-lo com a gravidade a pregar-nos partidas numa noite de nevoeiro. Sinceramente não aconselho a tentarem isso em casa, mas pronto a coisa lá saíu menos mal...e fez-se a actuação. Estou a pensar seriamente em editar os 10 mandamentos do porta-estandarte, em que o primeiro será: Não beberás como uma besta antes de ir pra palco.

Enfim, tristezas à parte, instrumentos arrecadados, começava por fim a festa, mas não sem antes mais uma praxe. Ora o desgraçado do meu padrinho, que muito tem brincado aos tropas nos últimos tempos lembrou-se de brincar aos tropas com os caloiros, sendo que a nossa missão era desparecer da vista dele em 5 segundos. Como bom soldado, assim fiz, disparando como uma flecha em direcção a uma ladeira...ora daqui há a reter o seguinte: Nunca dêm de beber a uma flecha, não vá ela mandar-se à toa pela ladeira abaixo e torcer um pé...

Conclusão da história, já o pessoal tava reunido para passagem de mais um reles-caloiro a veterano, e eu a ganir agarrado ao pé...até já tinham estranhado a presença de uma capa e duma batina sem ninguém por baixo, mas nem ligaram...sabem aquela do homem que vai ao médico e diz:
- "Doutor, não sei o que se passa comigo, as pessoas ignoram-me!"
- "Próximo!"

Assim me senti eu, até umas almas caridosas me irem buscar e levado em ombros até à roda.
Pra quem não sabe o ritual de passagem a veterano processa-se da seguinte forma, o caloiro ajoelha-se à frente do padrinho, repete umas palavras que este diz, e depois dá o grito do ISEL enquanto os restantes veteranos lhe despejam duas imperiais(cada um) pelos cornos abaixo.
Ora como quando é bom nunca é pra mim, no dia que ia deixar de ser praxado, carregar instrumentos, etc, etc, torço um pé, que é pra equilibrar...Enfim, a coxear lá me aproximei do meio, e ía pra me ajoelhar quando me dá uma cãembra...foi giro, no momento mais marcante da minha vida académica ter 30 macacos a olhar pra mim deitado no chão, à espera que eu me conseguisse ajoelhar pra se continuar a cena...quando é bom...

Mas mais giro ainda, foi quando o meu tornozelo se tornou num pequeno trambolho e fui ao hospital de santa maria. Normal, diriam vocês...sim, se conseguirem que acreditem que o vosso traje pinga e tresanda a cerveja, não porque vocês deviam estar nos AA mas porque há um ritual na vossa tuna em que...eh pa, quando é bom nunca é pra mim.

(*) Padrinho na Estudantina do ISEL, porque o outro padrinho, nem é considerado desaparecido, que eu acho que ele existe, mas ainda não foi provado.. =P

segunda-feira, 9 de março de 2009

A Demanda das Bolas do Dragão

Atado que estava o hipópotamo com uma trela de corda improvisada, e com os pertences às costas, Giromo partiu na companhia de Gina, em direcção à vila.
Para quebrar o silêncio que se colocara entre eles, Giromo perguntou:

- Ainda não me haveis dito o que em boa hora vos trouxe a estas mal-assombradas terras?

- Venho candidatar-me a ajudante do médico da corte, que diz que está velho e quase senil, pra não falar na falta de vista. Veja bem que fez no sábado 5ª feira, que o malvado foi tratar dum pobre enfermo acamado devido a uma hemorróida agúda em 3º grau, e por forma a ver de melhor enfiou-lhe um coto duma mangueira pelos entrefolhos do nalguedo, pra espreitar à outra ponta, mas não vendo nada com a escuridão, acendeu um fósforo e mandou-o pela mangueira abaixo...ora assim que o lume se apossou dos gases intestinais, aquilo deu em arder material e estoirar foguetes...parecia as festas de São Firmino...diz que o coitado desde aí que já nem caga...só deixa cair. Ainda assim o doutor é um homem sábio, e espero que me passe alguns dos seus conhecimentos antes de bater as colheres.

- Nesse caso acompanhar-vos-ei à sua presença que sou capaz de tar a chocar alguma.

O velho doutor tinha os seus aposentos na torre mais alta do castelo de pedra branca, que se erguia imponente no topo do Monte Raso. Desde a entrada da muralha às portas da torre era quase meia hora a pé, isto se não parassem admirar as pêgas da rua direita ou os naprons feitos à mão que as velhas vendiam a vulso em cada esquina. O sol já ía alto quando a alcançaram e ouviram o velho curandeiro berrar lá de dentro - Tá aberta, puxai a corda!
Puxaram o atilho e sentiram o trinco abrir-se, para possibilitar a entrada numa sala oval, coberta a toda a volta de altas prateleiras empoeiradas, que suportavam estranhos utensílios de madeira ou metal, e inúmeros livros de grossas lombadas e folhas amareladas.

O doutor encontrava-se sentado a uma secretária de mogno, e fez-lhes sinal para que se sentassem em duas velhas cadeiras de verga, algo carcomidas pelo caruncho.

- Estou só aqui a acabar de desenhar estas radiografias. Tive que dispensar a impressora ontem, gastava-me os tinteiros todos, e desenhava-me as fracturas todas tremidas, ainda pensei de ser das penas, mas afinal era Parkinson. Já não se arranja escravas capazes a ganhar menos duma côdea de pão e um coxo com água, por meio-dia de trabalho...e a culpa é dos porcos dos sindicatos, havera de ser eu que mandasse, era juntá-los todos, besuntados com mel e largados aos ursos. Enfim, já está...ora digam lá jovens que vos trouxe cá?

- Eu vinha-me candidatar ao lugar de sua ajudante, que muito me honraria, ficando-lhe eternamente grata se me aceitasse.
- Bom, a menina deve calcular que as candidaturas são mais que muitas, que referências trás?
- Tenho esta carta que me escreveu meu marido antes de me abandonar...
- O seu marido era médico?
- Não, mas quando soube que ele me encornou tratei-lhe da saúde.
- Ah, menos mal. Acho que tem o perfil indicado, e deixe-me dizer-lhe que a minha decisão será certamente entre si e uma outra candidata que entrevistei ontem.
- É boa médica?
- Não, mas é tesuda. Só tem um pequeno defeito...
- Celulite? Mamas pequenas? Uma verruga peluda?
- Não, falta-lhe um braço, mas tem uma boquinha de ouro...

Um silêncio de tal madeira denso invadiu a sala, que era possível cortá-lo à faca...Gina tinha de puxar dos seus melhores argumentos para sair daquela situação...puxou das saias. O velho arregalou os olhos ao ver aquele cenário, e quase lhe despencou o queixo quando viu o sexo de Gina como que piscar-lhe o olho.

- Como é que fez isso??
- Assim - disse Gina repetindo a piscadela - doutor, enfie-lhe dois dedos...
- O quê? Essa merda também assobia? Contratada!

Gina voltou a compor-se, e desta vez foi Giromo que falou.

- Ó doutor, eu vim cá que era pró sôr doutor me ver aqui as partes fodengas que um malvado dum lagostim me ferrou.

Quando baixou as calças um arrepio percorreu-lhe o corpo ao ver que o seu estimado saco se apresentava num tom arroxeado, e no sítio da mordedura ostentava uma marca negra como bréu.

- Tenho más notícias pra si...esta marca que aqui se vê é um selo amaldiçoado, e temo que não o consiga remover se não me trouxerdes as bolas do dragão.
- Bolas do dragão? As sete bolas de cristal que se encontram espalhadas pelos quatro cantos do mundo, e que quando reunidas conferem ao seu portador o poder de invocar o dragão sagrado que realiza qualquer desejo?
- Não animal, os culhões do bicho.
- Ah...mas em que é que isso me vai ajudar?
- Nada, mas dão um petisco que é um mimo, e puxa prá cerveja...já ando a enjoar túbaros de porco.

to be continued...

domingo, 4 de janeiro de 2009

As Desventuras de Giromo - Parte I

************************* AVISO *************************

Avisam-se os estimados leitores que o seguinte post pode conter linguagem ou cenas consideradas chocantes, pelo que se tiveres menos de 18 anos vê antes um link destes que são uma barrigada de rir:

Noddy o traficante: http://www.youtube.com/watch?v=GkpQ6eoPtR4

Ruca o FDP: http://www.youtube.com/watch?v=9k6CDPcFFL8

Se tens mais de 18 anos mas não queres conspurcar a tua mente e buscas a salvação, sugiro que vás até à cozinha, feches todas as portas e janelas, abras o gás e te deites um bocadinho que isso há-de passar. Ou então corta os pulsos para não tares com tanta maçada.

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Quando saíu da água Giromo trazia ainda o vil crustáceo filado à sua bolsa escrotal que devido ao inchaço parecia agora albergar ao invés de testículos, duas pequenas sapateiras. Praguejando contra o inventor da fisionomia masculina, que dotou o homem de tão mal jeitosa e enrugada protuberância, Giromo percebeu que bem mais incomódo haveria de ser se tivesse de segurar os ditos cujos com as mãos...e ferrando uma mão com os dentes, arrancou o desgraçado lagostim com a outra, para mais uma vez soltar um urro capaz de ensurdecer um elefante mouco.

E foi talvez atraída por tão arrepiante som, que surgiu à sua frente uma mulher que Giromo nunca vira. Não era feia nem tão pouco bonita, antes pelo contrário, e Giromo nunca haveria de esquecer as palavras que lhe dirigiu:

- Mas que grande inchaço trazeis aí, meu bom homem - disse ela, mirando Giromo de alto a baixo, com especial demora nas suas partes íntimas.
- É verdade formosa dama, veja bem que aqui o danado me ferrou - proferiu Giromo, enquanto elevava ao sol o lagostim que esperneava entalado entre o dedo médio e o indicador.
- Oh, nesta vida! São coisas que acontecem...mas deixai-me cá ver isso que trago aqui umas ervas que são um mel, para as mordeduras e outros males que tais.

E antes que Giromo podesse soltar um som que fosse, a estranha mulher apossou-se-lhe dos genitais, ajoelhando-se para uma melhor visão. Até que Giromo, encavacado com tal cenário disse por fim.

- Cara senhora, agradeço-lhe imensamente que me alivie a dor, mas não querendo ser indiscreto, uma vez que pende em suas mãos o futuro da minha descendência, não achais justo eu saber pelo menos o vosso nome?
- Gina.
- Só Gina?
- Sim, não lhe basta Gina?
- Oh sim, é um linde nome. Giromo, um fiel servo à sua disposição... - um lindo nome mesmo, chegava Gina, e a pronúncia do nome, conjuntamente com o bálsamo quente das ervas que ela lhe esfregava em redor do ardor e ao longo do prepúcio, fez o seu pendente membro começar a ganhar cabeça, indo já a 45º quando Giromo se prontificou a desculpar-se.

- Queira desculpar este meu comportamento, e não me interprete mal, mas há anos que não tenho mão no malvado.
- Oh, não se martirize, as saudades que eu tinha de presenciar tal desenvoltura, deixe que ponha eu mão no danado...- disse Gina arremelgando os olhos - mas uma coisa de cada vez, tratemos então deste imprevisto, e trate de quebrar o lacre deste insano cofre que carrego à cintura - E dito isto, num movimento como que para tocar nos bicos dos pés Gina vergou-se levantando as saias ao nível do pescoço, e revelando não possuir cuecas...

Vislumbrando tal cenário já o rígido vergalho atingira os 90º apresentando-se prefeitamente paralelo ao solo. Giromo abeirou-se dos quadris da devassa segurando-os com firmeza e desde logo tomando o pulso ao acre odor a feijão com lebre, que emava dos entrefolhos da roliça mulher, revelando que aquelas miudezas não viam sabão, nem tão pouco uma pinga de água, há vários dias. Mas Giromo não se ralou, tinha pouco sucesso entre as mulheres, e aquela era uma oportunidade de ouro. Não é que fosse particularmente feio, tirando o dente em falta que mostrava a cada sorriso e a cicatriz em forma de alacrau num canto da testa, por norma escondida atrás da oleosa cabeleira ruiva, tinha uma aparência normal. Talvez fosse o cheiro a peixe que incessantemente o acompanhava ou o lixo que teimava em acumular-se por debaixo das unhas sempre que amanhava o mesmo, que afugentava o sexo oposto...

- Andais sempre assim tão à fresca, amável dama?
- Oh não, por quem me tomais?
- Desculpai-me não quis ofender.
- Não foi nada. Agora dai-me de força!
- Com força.
- Isso. Mas se quereis mesmo saber, apenas descarto o uso da roupa de baixo quando contraio alguma doença venérea.
- Ah, fico mais aliviado.
- Desta vez são os chatos que me apoquentam.
- Ah bicheza malvada!
- Pediculose púbica é o que lhe chamo.
- Magana.

Teriam trocado mais dois dedos de conversa durante o acto, não fosse o facto de Giromo, dada a falta de rotina naquelas práticas, ter disparado numa explosão de prazer como jamais tinha experimentado, deixando a pobre Gina de quatro, e ainda a palpitar, coberta de lagonha morna. Sem se aperceber crispara as proteburantes unhas nas nádegas da pobrezinha, e ainda não as soltara.

- Bom, já deu para matar o bicho... - suspirou Gina.
- Peço perdão, foi o que se arranjou para agora, mas queríeies mais?
- Porventura...
- E o meu inchaço?
- Tomara que se mantenha...
- Não é esse, falo do outro...
- Ah, se despejarmos os alforges é capaz de passar mais ligeiro...
- Seja...

To be continued...

PS: Se tens menos de 18 anos e leste isto na mesma, não fizeste nada que eu não fizesse quando tinha a tua idade, e ainda cá ando. E tirando meia dúzia de pequenos furtos e atentado ao pudor, ainda não dei em criminoso...
PS2: Pirataria é crime?
PS3: Esquece, eu enjôo em mar alto...
PS4: Aproveita que tás na net e vê umas gajas nuas.
PS5: Se não gostas de gajas nuas é porque és mesmo bixona.
PS6: Exacto, escusas de escrever para uma revista a perguntar.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Se eu escrevesse um livro épico começaria assim...

Giromo acordou, numa manhã igual a tantas outras. Lá fora o nevoeiro carregado de ar frio fazia ranger os dentes aos pássaros mais madrugadores que permaneciam por ali durante a estação fria, à medida que derretia a geada acumulada na borda dos carreiros após uma anormalmente fresca noite de lua nova, facilmente confundível, pelos mais distraídos, com um avantajado quarto minguante.

Assim que saíu porta fora, completadas que estavam as tarefas de higiene pessoal, que minuciosamente levava a cabo antes de abandonar a comodidade do seu lar, invariavelmente, a cada madrugada. Era assim desde que perdera a sua mãe naquele fatídico jogo de cartas, e que perdera também o gosto de viver, limitando-se a existir apenas para cuidar de quatro irmãozinhos que Vitória, a velha galinha poedeira, deixara órfãos há coisa de mês e meio. Não raras vezes recordava com nostalgia, que por pouco não estrelara dois deles, num dia que lhe deu o desejo de molhar o pão numa gema mal passada. Felizmente uma soltura inesperada apossou-se dele naquela hora, ficando 3 dias confinado a uma dieta de chá e pão seco. Foi o suficiente para que os ovos chocassem e dele saíssem aquelas quatro amareladas criaturas de bico ruidoso, que o impediam de cortar os pulsos com a navalha ferrugenta que fora de seu avô depois de ser de seu pai, e que sempre carregava com ele tal qual um amuleto espanta-espíritos, ou espanta ladrões.

Giromo saíu então para a gélida madrugada, semi-cerrando os olhos, forçando-os a distinguir as formas escondidas para lá do neoveiro, caminhando com as suas botas de pele de cabra que tanto gostava, quando calcou uma poia. Amaldiçou a sua má sorte em voz média alta...Pisar merda é sinal de dinheiro, diz o povo. Giromo não era supersticioso, mas pelo sim pelo não apertou a pata de coelho que sempre transportava na algibeira juntamente com a navalha, e bateu três vezes na madeira do terço que trazia ao pescoço...É para afastar a má sorte, dizia ele aos amigos que zumbavam do peculiar objecto, pois cristo só viria ao mundo dali a muitos anos e a cruz não simbolizava mais do que dois paus atravessados. Mas para Giromo era mais que isso...lembrava-lhe o pai que tantas vezes o mandou ir jogar ao pau com os ursos, nos poucos dias que trabalhou com ele, como aprendiz de carpinteiro. Aquela cruz moldara-a ele com as próprias mãos, e a navalha de bolso...era um facto, jeito para a profissão do pai era coisa que não tinha.

Talvez por isso tenha escolhido tornar-se peixeiro...e aí ía ele, para mais uma jornada no rio Secum. Mas aquele dia era diferente...tinha se esquecido do equipamento para a pesca à enguia...paciência, cingir-se-ía ao achegã. Talvez o destino quisesse assim, tal como quis atrair o seu olhar para a estranha pedra coberta de lodo que jazia na outra margem. Tal visão intrigou-o, não só pelo formato da pedra, mas porque não havia pedras por aquelas bandas, apenas agriões. Sem saber como nem porquê, Giromo atirou-se à agua, e esbracejou. Aprendera a nadar tinha apenas 6 anos, com um Labrador Terrier que lhe fora oferecido por motivo do seu 10º aniversário, ou do 5º, já não se recordava bem. Se tinha um defeito, era a falível memória...e o parco talento para a carpintaria...mas foi nadando à cão que alcançou a lamacenta barreira, que albergava aqui e ali moribundos cadáveres de rãs, outrora saltitantes batráquios.

Ao pegar-lhe não tardou a perceber que a invulgar pedra, era tão invulgar por não ser uma pedra, pois nesse memo instante sentiu o pulsar de uma vida vindo do seu núcleo. Era um ovo, mas não lhe apeteceu estrelá-lo, sabia que este era especial. Sim, tinha a certeza, escalfado com ervilhas daria um melhor petisco, mas hesitou quandou os seu pensamentos lambões foram interrompidos pelo ruído estaladiço que vinha da casca. Estava a acontecer, o ovo ía ecludir. Será um dragão, como contam as lendas e as cantigas antigas? Atentando ao avantajado tamanho bem que poderia ser, divagou Giromo ao arregalar os olhos para ver um fucinho largo e curvo surgir do primeiro buraco. Quando finalmente o dragão recém nascido se livrou da melosa casca, Giromo percebeu...o seu dragão era uma anafada cria de hipopótamo!
Assustado tacteou o bolso em busca da navalha, ainda não a limpara desde que estivera a amanhar o peixe, pelo que esta estava gordurosa e escorregadia. Amaldiçoou-se por isso. Raios me partam se os hipopótamos agora nascem em ovos! - disse Giromo, quase ao mesmo tempo em que um relâmpago despencava no alto da sua cabeça, e ele tombou firme e hirto como uma barra de sabão azul macaco.

Acordou com as lambidelas do hipopotamo, que assim que ao vê-lo abrir os olhos lhe ferrou carinhosamente os dentes no enorme nariz que possuía, herança de sua mãe. Doía-lhe a cabeça, como numa manhã de ressaca, mas ainda assim bem menos que a respeitável narigueta, que começava a inchar. Praguejou mais uma vez, para de seguida dar graças por estar vivo. Ninguém até hoje sobrevivera à queda de um raio na moleirinha, ele era o primeiro, era especial. Assim que este pensamento o abandonou, não se conseguiu conter a tirar a roupa, e mergulhar nas gélidas águas do Secum, tal como veio ao mundo. Estava um frio de rachar, mas não foi por isso que momentos mais tarde se arrependeu da sua decisão, mas pelo lagostim que lhe fechou as tenazes em redor do escroto...O seu uivo de dor acordou a floresta em redor, os pássaros voaram para longe alarmados, os esquilos esconderam-se espalhando as bolotas que transportavam no regaço, e até o pequeno hipopotamo se viu forçado a soltar um pum, enquanto se escondia atrás duma moita.

To be continued...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Crónicas de um coxo diferente

Saudações académicas! Cá estou eu mais uma vez para o meu post trimestral...é verdade, desde que sou um estudante exemplar só posso escrever de 3 em 3 meses. Sim, estudante, já é oficial...Fiz 6 cadeiras no semestre passado! Sim, podem dizê-lo...eu próprio se calhar vou dizer mais uma vez...: FODA-SE! Ah, agora tou muito mais aliviadinho...

Se fez 6 cadeiras é normal que não tenha tido tempo pra vir para aqui escrever merdelim em quantidades como de costume, dizem vocês...Não dizem? Não dizem porque se pra mim é difícil mudar os maus hábitos da calãzisse, pra vocês continua impossível mudar os hábitos de rabetice, mas enfim, não foi pra falar do mau uso que dão ao vosso befo que escrevi este post.

Fiquem sabendo que mais do que um incorruptível estudante, poderia ser neste momento um exemplar trabalhador-estudante-finalista-do-cabrão-do-curso-que-não-há-meio-de-ficar-acabado-de-Engenharia-Informática-e-de-Computadores, isto claro está se não fosse aquele detalhe de quando é bom nunca é pra mim. Após duas entrevistas relâmpago, eis que recebi uma proposta de uma multi-nacional para trabalhar num projecto de dois anos pra uma marca mundialmente conhecida...até aqui tudo bem, não fosse a parte de pagarem uma parte em senhas de refeição e ter de passar os próximos anos a arrastar-me até ao cú de Judas Iscariotes para entrar as 8h da matina, sair ás 17h e ir pro ISEL até as 23h, tá bem que eu agora sou esforçado e responsável, mas também não sou urso! Se calhar urso sou um bocadinho, que eu não dispenso as minhas horas de hibernação, mas também não sou parvo! Bom parvo também...quer dizer, vá não sou burro! Enfim, também com tanta a gente à procura de emprego e eu a queixar-me...mas obviamente que esta era a parte boa, pois como é do senso comum a seguir a uma proposta assim-assim, vem sempre uma proposta de...e eis que dou comigo à porta de uma 2ª multi-nacional, ignorando a placa de alumínio ostentando "Advogada" em letras garrafais, para entrar e dar de caras com o logotipo da empresa impecavelmente desenhado em cartolina, enfim...tira lá o trabalhador e fica só com o estudante-finalista-do-cabrão-do-curso-que-não-há-meio-de-ficar-acabado-de-Engenharia-Informática-e-de-Computadores, e já gozas...

Mas nem só de episódios engraçados é feita esta minha vida, finalmente estreei-me como bandeira/porta-estandarte(chamem como quiserem, desde que não me chamem pai nem me peçam dinheiro), da grandiosa Estudantina Académica do ISEL em festival. Sim, depois de explorar o meu rarefeito talento musical lá tive que me agarrar ao pau...o que não é assim tão mau, já que anda por aí muito boa gente a agarrar-se ao pau, e sem mãos! E não é com o que vocês tão a pensar é mesmo com o nalguedo.

Enfim, mas também há vida para além do mundo académico, já no panorama desportivo, quando é bom continua a não ser pra mim...ora este ano que ía ser a minha afirmação no Inatel lesionei-me com gravidade...eu digo com gravidade para não me sentir mal, mas envergonhadamente confesso que esta lesão é um bocado abichanada. Levar uma pantufada que me fizesse uma fractura exposta, deixasse um pé virado ao contrário, uma rotura, até uma entorse, era coisinha que aleijava mas ao menos era de homem, agora doer-me um calcanhar só porque sim é que não...

Começou-me a doer só porque sim, faz gelo num saco de ervilhas, põe voltaren, arranja umas palmilhas de gel, olha que isso é dos ténis que compraste...bom, mais de 2 meses volvidos e o menino na mesma. Bom, se calhar 'táva na altura de ir a uma médica especialista, e marquei uma consulta, mas pra passado 15 dias que quando é bom nunca é pra mim e a doutora 'táva de licença de parto...

3ª feira, 11 de Novembro de 2008

10h30: - "Bom dia, eu tenho consulta marcada prás 10h30". - "Qual é a especialidade?" - Ameijoas à bulhão pato, mas pra que é que ela quererá saber isso? Não labrego, a especialidade da médica. Disseram-me que era médica dos pés...pediatria?? Isso é dos putos, foda-se... - "é por causa duma dor aqui no pé" - sou a vergonha desta juventude, e mais não vejo os Morangos c/açucar há séculos...- "ah já sei, mas a doutora ainda não chegou, tem que esperar um bocadinho" - e fiquei sem saber o nome da especialidade...deixa cá ver o que diz a tv guia, esta será daquelas que têm parte de sexo?
11h00: Fecho a 3ª tv guia, nem sinal da doutora.
11h09: Duas Nova Gente's depois, chega a médica.
11h13: Mas que raio é que ela estará a fazer sozinha no consultório? Queres ver que se deixou dormir?
11h15: -"Pode entrar".-"Blá, blá, blá...pardais ao ninho..."-"Ah isto é derivado de você ter a curva do pé demasiado acentuada, de maneira que o pé não assenta correctamente e força o tendão, blá, blá, blá...whiskas saketas...temos de fazer uns suportes plantares (palmilhas pra eruditos) à sua medida pra compensar...beca beca..."-E eu tudo bem...-"Eu não tenho aqui o material para fazer os moldes, pode ir sábado às 14h30 à clínica "troca-o-passo" para ver se tratamos disso o mais depressa possível?" - que remédio...resumindo, uns têm pés chatos, eu pra ser diferente tenho isto...

Sábado, 15 de Novembro de 2008

14h33: "Boa tarde, eu vinha pra uma consulta com a doutora Pichelina*."-continuo sem saber a especialidade, se houver outra Pichelina vou passar vergonha outra vez -"Como é que se chama?" - "Cavaleiro Desandante ;)" - "Tem marcação? É que não tenho aqui nada no computador." - "Se calhar não, é que isto era só pra fazer os moldes pra umas palmilhas..." - "Ah, então tem que aguardar um bocadinho que a doutora ainda não chegou"-que admiração...olha, revistas cor-de-rosa desactualizadas, as minhas preferidas...pra forrar o chão por baixo do prato do cão...
15h05: 3 revistas depois, chega a doutora.
15h10: Mas o que é que eles tão tanto tempo a fazer quando chegam ao consultório???
15h11: "Pode entrar cavaleiro"- ao menos já sabe o meu nome =P -"Ponha aqui um pé"-isto é fofinho, parece esponja, e é vermelho, é melhor pisar com força... - "E aqui o outro."-...- "Pode subir aqui pra cima, se faz favor" - só porque tás a pedir por favor - "Tá a ver aí as zonas a verde no espelho por baixo, vê se que o pé não acenta bem..." - Não tou a perceber, mas vá - "Sim,sim..." - "As manchas a vermelho é por causa do material do molde" - ah bom, é que ía jurar que tinha lavado os pés antes de sair de casa - "Então pode vir buscá-las 3ª feira às 11h à clínia onde foi na 3ª passada" - porreiro, ao menos é rápido.

Era rápido, quando é bom nunca é pra mim...

3ª feira, 18 de Novembro de 2008

10h45: atrasado, mas pronto pra sair de casa (que se lixe a médica também se atrasa sempre...)
10h46: quem é que me tá a ligar a uma hora destas? - "Estou sim" - "Bom dia, é o sr. Cavaleiro Desandante?"- eh lá, queres ver que é uma fã ninfomaníaca possuída por desejos carnais matutinos?-"É da clinica "treco-lareco"- quando é bom nunca pra mim... - "tava-lhe a ligar porque a doutora tem o menino pequenino doente e não pode vir dar consulta hoje, e mandou perguntar se podia ficar prá semana?"-falta de sorte-"Sim, se não puder ser antes..."- que remédio -"ah, é que a doutora não sabe se vai conseguir dar consultas esta semana por causa do menino..."- mas porque é que eu não fui pra médico???? - "Então pronto, fica prá semana. Obrigadinho pela atenção."

3ª feira, 25 de Novembro de 2008

11h00: Ao menos desta vez teve a decência de marcar prás 11h pra eu não ficar à espera - "Bom dia, eu vinha prá consulta com a doutora Pichelina" - raios parta, ainda hei de morrer e não fico a saber a especialidade da mulher - "A doutora hoje está um bocado atrasada" - já referi que quando é bom nunca é pra mim?
11h30: Vira revista, venha outra...
11h33: Chega a doutora
11h 33min 20seg: Doutora espalha-se ao comprido no corredor.
11h 33min 21seg: Penso na desgraça do sporting(afastando a imagem do cabelo do P.Bento) pra não me desmanchar a rir...ah pois é, deus castiga...
11h38: A demora do costume...
11h39: -"Sr. Domingos Paciência** pode entrar" - foda-se ainda por cima o velho tá à minha frente...quando é bom nunca é pra mim.
11h44: -"Cavaleiro pode entrar, não vale a pena estar à espera" - ah afinal, às vezes até nem é mau e é pra mim...
11h50: "São 75€ se faz favor." - FODASTEA! Quando é bom nunca é pra mim, mas quando é mau também escusava de ser sempre pró mesmo! Pronto, agora sou pobre e coxo...parece destino.

Por falar em destino há coisas do arco da velha, como a etimologia (http://www.pititi.com/curiosidades/nomes/nome_c.htm), fui a ver e não é que o meu nome vem do latim claudus e significa "coxo" ou "diferente", decididamente quando é bom nunca é pra mim, nem no nome acertei...

(*) Pichelina - nome fictício mas castiço.

(**) Não era o treinador da académica, mas o nome acentava-lhe bem dado que teve todo o tempo a ouvir a velha que dizia que tinha apanhado uma gripe enorme apesar de ter tomado a vacina. Justificação do médico - "Eh pá, tou com medo de si, você consegue apanhar sempre as estirpes que não são prevenidas pela vacina..." - que é uma maneira fofa de um médico dizer que o que a velha teve foi uma variante de QCLD***.

(***) Qualquer Coisa Lá Dentro.

Bjinhos à prima, e como dizem no Telerural...cuidado com aqueles moços que escrevem blogs sobre coisas parvas com a ponta dos dedos e uma mantinha plas costas derivado da rijeza(frio em alentejano) que se faz sentir por esta altura no ribatejo. E já agora cuidado com aqueles moços que pensam que ribatejo é toda a região localizada acima do Tejo...há quem diga que não existem mas que os há há.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Pintado de fresco

Oi cambada, como é que é? Do mesmo tamanho...pois, então que fazem? Sim, compram tudo já feito...mas como têm andado? Com as pernas? F*D*A-S* não dá pra falar com vocês, depois querem que um gajo tenha prazer em vir pra aqui postar...

Mais vale conformarem-se...Não, não adianta espernear, é oficial, eu voltei mesmo a escrever um novo post, e não há o que possam fazer quanto a isso...tipo, se o estão a ler é porque ele já foi escrito!

Enfim, eu sei que vocês são um bocado limitados, mas se não fossem também não estavam a ler isto, e é por isso que eu vos considero especiais... =p

Eu sei, é um facto, sou um calão, não escrevo nada há mais de 4 meses, mas eu sou mesmo assim...como naquela quadra de 3 versos da mais sentida poesia contemporânea*...

A preguiça cola-se a mim,
Como as pulgas ao cão,
E as penas ao alcatrão.

Mas nem só de preguiça é feita esta minha sofrida existência, nos últimos 4 meses muita coisa mudou...se eu há 4 meses era um ocioso amante do descanço, hoje em dia, continuo a sê-lo, mas descobri em mim o potencial de um verdadeiro estudante, é verdade, este semestre bati o meu record e fiz mais de 4 cadeiras! Fiz 5, se bem que ainda não saíu a nota da 5ª, e ainda me esperam mais duas para fazer lá para Outubro em época especial. E mais, para além de um valoroso estudante (valoroso, porque passei em todas com 10 valores), sou ainda um esforçado trabalhador. Vá, procurem lá um assento confortável, que eu espero. É verdade, inicei a minha vida activa...isto de trabalhar é giro e tal, mas com calminha, que se o trabalho desse saúde, a assembleia da república era transferida pró Amadora-Sintra...Daí que fui trabalhar pra um call-center, e em part-time, que os meus afazeres de preguiçoso não me deixam tempo pra mais...

"Estou sim bom dia, o meu nome é Agapito Virgulino**, estou a ligar da Zon TvCabo e pretendia falar com o sr. Leopoldo Bonifácio**"...Não, não me passei da cabeça (mas já não falta tudo), esta tem sido a frase mais dita por mim de há mês e meio a esta parte...5 dias por semana, a vender o serviço de telefone fixo(Voip) e Internet da TvCabo...a internet vá, mas no caso do Voip, quando toda a gente tem telemóvel, sinto-me como se tivesse a vender cavalos..."O sr tem um mercedes, mas se comprar um cavalinho já viu o dinheiro que poupa em gasóleo se ao fim-de-semana passar a ir ao pão de cavalo?"

Num próximo post talvez me alargue mais a dizer mal do meu trabalho, no entanto não vale a pena ser já despedido caso o meu chefe leia isto...se bem que tou a pensar despedir-me no final do mês...é que já vi como é que é isto de trabalhar, já tenho uma ideia, e queria ver se não me acostumava muito...e também mereço umas férias, estou em risco de fazer 7 cadeiras este semestre! Até vou pedir à minha avó pra me benzer, que se calhar tou com quebranto...

Mas nem só de coisas tristes é feita a minha vida...também é feita de cenas tristas...e é com emoção e de olhos marejados que vos comunico que o meu cavalo branco desapareceu! É verdade, consegui vender o chaço...era um chaço, mas foi o meu primeiro chaço! Veio um gajo do Algarve de propósito buscá-lo, sim porque eu não ía desfazer-me dele de qualquer maneira, não poderia vender o meu companheiro de inúmeras odisseias ao desbarato...pronto vendi-o ao preço da uva mijona, se não ninguém o comprava, mas o comprador teve que passar as passas do algarve, do baixo alentejo e do alto alentejo, para o vir buscar...o que já me conforma um bocadinho.

E como um cavaleiro, mesmo que desandante, não sobrevive sem o seu corcel, monto agora um bravo alasão negro, comercial de 5 portas... um comercial com 5 portas é parvo! Ya, e então? O meu blog também é, e tás a lê-lo! Não vale a pena puxarem mais pela moleirinha, é mesmo um Citroen C3 - Mas que carro tão apanascado, dizem alguns enquanto secretamente acariciam o rendilhado da sua roupa interior - Meus amigos, um homem com eles no sítio, até pode andar de Fiat Panda rosa-choque e às flores, sem que isso belisque a sua masculinidade...- é redondinho, mas o zé tolas também é, e vejam lá se elas não lhe acham piada. E mais, finalmente tenho um carro que bebe menos que eu...se calhar não bebe, mas já teve mais longe...


* Sim, contemporâneo, acabei de inventar.
** Nomes fictícios. Se por acaso o caro leitor tem um destes nomes, se calhar é altura de pensar se não terá sido adoptado. Ninguém carrega um filho nove meses pra lhe fazer isso...

P.S.: E a nova decoração do blog, ã? Não,não havia o padrão rosa-choque com motivos florais...também já chateias com tanta rabetice...e o post já acabou, porque é que continuas a ler? Xô! Bjinhos à prima!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Dia das Mentiras

Bons olhos te vejam pá! Há quanto tempo não davas uma vista de olhos aqui pelo sítio? Desde o último post? Pois já lá vai um tempo, mas desenganem-se os críticos rabetas que associam esta longa ausência a falta de inspiração ou ocasiões para dizer mal da minha vida, o que eu tava era à espera do dia das mentiras. Há anos que espero por este dia pra pregar uma valenta incavadela em alguem, mas o que se vem verificando é que o raio do dia passa sempre e eu não dou por ele. Finalmente este ano vai ser diferente, e pra comemorar vou fazer um post completamente descabido da realidade, ou seja, o costume.

Bom, e perguntam vocês, numa curiosidade incontralável de aposentada codrilheira(ou quodrilheira, ainda não tive oportunidade de averiguar qual a versão do novo dicionário revoluncionário da língua portuguesa, para este termo), que tragédias mais assolaram a minha vida nos últimos tempos; se já desenho para o cão azul? Nah, quando é bom nunca é pra mim, por isso tenho andado é a trabalhar no meu próprio cão, um jovem velho de 11 anos, que sofre do coração, artroses e cataratas, já toma mais comprimidos que o meu avô de 75, e não pode abusar do sal(o cão, porque o meu avô continua a acompanhar o tradicional bagaço do pequeno almoço com o tradicional segundo bagacinho do pequeno almoço, e não há bixo que entre com ele). Parece que afinal o que eu entendi por produção não era desenhar, mas sim estampar t-shirts. Enfim, depois do futebol e da indústria de filmes pra adultos eis mais uma grande profissão em que eu passei ao lado.

Quanto a mais males da minha vida...quando um gajo sabe à partida que quando é bom nunca é pra ele, que é que faz? Exactamente, concorre ao Quem Quer ser Milionário. Pois é efeminados leitores, ao cabo dum mês enviei todo o santo dia uma sms com texto que eles queriam, para ir ao programa, até ao dia em que rejubilante de alegria recebo uma sms com o texto:"Você foi seleccionado para..." - Finalmente!Foi bom e foi pra mim! - Ehhhh...trava Alberto que vais a descer! (não me chamo Alberto, mas vá se lá saber porquê o Alberto dá todo um encanto especial a esta frase) - "...seleccionado para prestar provas de selecção pró QQSM!" - pronto tá bem, vá lá então - "Dirija-se no dia 21 de Fevereiro ás 10h30 ao hotel AC Lisboa junto ao palácio Sotto Mayor em Picoas. Alguma dúvida 21 xxx xx xx". Eu tenho concerteza uma costela de explorador, e estando demasiado ocupado na Wikipedia a investir na minha cultura, o que durou até altas horas da madrugada, na manhã seguinte lá fui eu rumo ao meu destino. Nunca fui a Picoas de metro, mas cegando lá o palácio deve ver-se bem.

10h35: Chegada à estação de metro de Picoas. Tou atrasado. Não vejo palácio nenhum. Começa bem isto. Esquerda ou direita?? Direita!

10h39: Subo a rua.Que é que diz ali? Maternidade Alfredo da Costa, hummm, não me parece. - "Olhe, se faz favor, sabe-me dizer onde é que fica o hotel AC Lisboa??" - "ACêquê??" - "AC Lisboa"- tipo onde a gente tá, urso! - "Epa, não tou a ver..." - "Diz que era junto ao palácio Sotto Mayor." - "Ah, o palácio é lá pra baixo." - boa, era pa esquerda: quando é bom nunca é pra mim.

10h43: Olha o cabrão do palácio, falta é o cabrão do hotel. Aquela cena com bué vidraças até que se parece com um hotel, se calhar é ali...

10h44: Contorno o palácio.Conclusão: cena de vidro(ver foto) = Galerias Sotto Mayor. Aqui também não é.

10h46: Nem sinal do hotel! Desço a rua da imagem, sempre pelo passeio como a velha me ensinou, passo por baixo do túnel e retorno à frente do palácio. Hotel nada. Subo a rua perpendicular ao palácio.

10h49: Desço a rua perpendicular ao palácio.

10h51: Ligo para o tal número 21 xxx xx xx. "Bom dia, olhe eu era pra ir ás provas de selecção do Quem Quer ser Milionário às 10h30 mas tou há quase meia hora à procura do hotel" - do outro lado - "Fica mesmo junto ao palácio na parte de trás" - "Mas é que eu já tive na parte de trás e são as Galerias Sotto Mayor, é aí??" - "Ah, não sei..." - só me saiem é duques e cartas furadas...

10h52: "Bom dia sr.guarda, sabe-se dizer onde fica o hotel AC Lisboa" - "A quê?" - "A-C L-i-s-b-o-a" - "Epa, não tou ver...hmmm...não, não sei" - Oh mãe dá-me água! Nem a bófia sabe onde é a merda do hotel, estou bonito estou.

10h54: Novamente ao pé das Galerias. Se não é pra esquerda se calhar é pra direita.Subo a rua.

10h55: "Bom dia, por acaso não me sabe dizer onde é o hotel AC Lisboa?" - "AC??" - ao menos este percebeu as letras, uma mente iluminada - "AC, é capaz de ser umas inciais..." - não, afinal é tão urso como os outros - "Pois, deve ser, disseram-me que era na parte de trás do palácio..." - "o palácio é ali em baixo..." - correcção, é mais urso que os outros - "sim, eu tive lá mas já dei a volta e não vi nada..." - "olhe pergunte aí ao sr.guarda" - queres ver que é o mesmo?? Ah, não... - "Bom dia sr.agente, sabe-me informar onde é que fica o hotel AC Lisboa?" - "Não sei, mas fale ali c/o meu colega...espere aí" - "Ó pá! Sabes onde é o hotel AC Lisboa?" - " É aquele ali em baixo, tá a ver mesmo aqui em frente?" - não tou a ver nada, mas aquele prédio se olhássemos com carinho até que podia ser um hotel.

11h02: Havia um segurança numa espécie de recepção - "Bom dia, é aqui que é o hotel AC Lisboa?" - "Não amigo, é aí desse lado da rua" - este parece ser boa pessoa mas...do outro lado?Da rua? - "Venha cá que eu mostro-lhe". Eis qual não é o meu espanto quando saio à porta pra fora, ficando digamos que na posição de fronte para a foto, e vejo um pouco mais a baixo em letras garrafais...

HOTEL AC LIBOA

Que eu, como lindo (e rodas baixas) menino que sou, indo pelo passeio, passei por baixo e não vi! F*d*-se!!! Quando é bom nunca é pra mim! Enfim, lá cheguei atrasado e transpirado ao meu destino e fiz a prova. Errei uma pergunta em 10, mas como quando é bom nunca é pra mim cá estou eu ainda à espera que me telefonem. Mas que género de gajo com eles no sítio é que sabe que o antigo nome de Taiwan era Formosa? Mas passa pela cabeça de alguém que os mesmos gajos chamem Formosa a uma ilha em cascos de rolha cheia de chinesas e Berlengas ás do pé de casa? Só se forem portugeses...

Enfim, saltando a página...e por falar em saltar(engraçado como falei mesmo no mote que permite introduzir o novo assunto, há coisas fantásticas não há?), desde o início do ano que aderi ao kanguru(não não sou caçador, kanguru internet mesmo) e vivíamos os dois felizes e contentes dias de paz e harmonia, até eu decidir dar o salto maior que o kanguru...passo a explicar, mandaram-me um convite pra eu aderir a uma cena fixe, que dá pra fazer uns downloads dumas coisas porreiras da net, tipo filmes fixes. E eu, que nem criança com brinquedo novo, toca de aproveitar, mas acontece que pro pessoal poder sacar cenas fixes da cena fixe, também tem que disponibilizar as cenas fixes que sacou pra quem quiser sacar a seguir. Até aqui tudo muito certo, mas o kanguru é um bicho manhoso, e eu desconhecia que nos míseros 6Gb de tráfego que ele deixa o pessoal fazer, tá também incluído o upload...ora anda um gajo a querer ajudar, dando tudo o que tem(é favor os veados absterem-se de comentários paneleiros a esta frase. A gerência agradece.), e depois acaba com uma factura de 150€ de internet pra pagar. Ora quando o meu pai souber disto é bem provável que me ponha as malas à porta, portanto desde já queria a apelar a que um dos meus fiéis leitores seja solidário e me dê guarida por uns tempos(aquela conversa dos rabetas leitores não é pra ser levada a sério, era só a brincar...ã?).

P.S.: Oh Porra! Com esta conversa toda já passa da meia-noite e já ardeu outra vez o dia das mentiras...quando é bom não há uma vez que seja pra mim!